15 de setembro de 2026
Doença de Creutzfeldt-Jakob: como os cuidados paliativos e o Home Care podem contribuir para a qualidade de vida
O diagnóstico do piloto e influenciador Lito Sousa, de 59 anos, com Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) chamou a atenção para uma doença neurológica extremamente rara e de evolução rápida.
Após receber alta hospitalar para continuar a assistência em regime de Home Care, o caso também trouxe uma questão importante para pacientes e famílias que enfrentam doenças graves e progressivas: quando não existe um tratamento capaz de curar ou reverter a doença, o que ainda pode ser feito?
A resposta está na continuidade do cuidado.
Em situações como essa, os cuidados paliativos podem assumir um papel fundamental, com foco no controle de sintomas, no alívio do sofrimento e na preservação da qualidade de vida. Quando existe indicação clínica e estrutura adequada, parte dessa assistência também pode ser realizada no ambiente domiciliar.
O que é a Doença de Creutzfeldt-Jakob?
A Doença de Creutzfeldt-Jakob é uma doença neurológica rara causada por alterações em proteínas chamadas príons. Essas alterações provocam uma degeneração progressiva do cérebro e podem comprometer diferentes funções neurológicas.
A doença pode provocar sintomas como:
- alterações cognitivas;
- dificuldades de movimento e coordenação;
- alterações visuais;
- mudanças comportamentais;
- dificuldade para falar e se comunicar;
- dificuldade para engolir;
- perda progressiva de autonomia.
Uma das características da DCJ é sua evolução geralmente rápida, fazendo com que as necessidades do paciente possam mudar em pouco tempo.
Por isso, o acompanhamento precisa ser contínuo e adaptado à evolução de cada caso.
Existe tratamento para a Doença de Creutzfeldt-Jakob?
Atualmente, não existe tratamento capaz de curar ou interromper a progressão da Doença de Creutzfeldt-Jakob.
Isso, no entanto, não significa que não exista o que fazer.
Quando uma doença não pode ser revertida, o cuidado pode mudar de foco. Em vez de buscar exclusivamente modificar a evolução da doença, a assistência passa a considerar também aquilo que continua sendo possível oferecer: controle de sintomas, conforto, segurança, suporte emocional e qualidade de vida.
É nesse contexto que entram os cuidados paliativos.
O que são cuidados paliativos?
Os cuidados paliativos são uma abordagem voltada para pessoas que enfrentam doenças graves, buscando melhorar a qualidade de vida do paciente e de sua família. Eles atuam na prevenção e no alívio do sofrimento, considerando não apenas os sintomas físicos, mas também aspectos emocionais, sociais e familiares.
Por isso, cuidados paliativos não significam desistir do paciente. Também não significam, necessariamente, interromper outros tratamentos. Dependendo da situação, eles podem acontecer simultaneamente a tratamentos específicos, investigações ou outras estratégias terapêuticas.
Quais cuidados podem ser necessários na Doença de Creutzfeldt-Jakob?
Como a DCJ pode apresentar uma evolução rápida, diferentes necessidades podem surgir ao longo do tempo.
A assistência pode envolver o acompanhamento de questões como:
Controle de sintomas
Dor, desconforto, alterações do sono, ansiedade, agitação e outros sintomas precisam ser avaliados e manejados individualmente pela equipe responsável.
Mobilidade e prevenção de quedas
Alterações motoras podem comprometer a mobilidade e aumentar o risco de quedas. A fisioterapia e a adaptação do ambiente podem contribuir para mais segurança e conforto.
Alimentação, hidratação e deglutição
A dificuldade para engolir pode aparecer durante a evolução de doenças neurológicas. Nesses casos, é importante avaliar a alimentação e a deglutição, inclusive para reduzir o risco de broncoaspiração.
Comunicação
Alterações na fala e na capacidade de comunicação podem dificultar a interação do paciente com familiares e profissionais. Estratégias individualizadas podem ajudar a preservar as possibilidades de comunicação.
Integridade da pele
A redução da mobilidade pode aumentar a necessidade de mudanças de posição e outros cuidados a fim de prevenir lesões de pele.
A família também precisa ser cuidada
Quando uma pessoa recebe o diagnóstico de uma doença grave e progressiva, as mudanças não acontecem apenas com ela, afinal, a rotina da família também é transformada. Surgem novas responsabilidades, dúvidas, inseguranças e decisões que precisam ser tomadas ao longo da evolução do quadro.
Por isso, os cuidados paliativos também alcançam a família.
Orientar os familiares, explicar mudanças esperadas e oferecer suporte diante das dificuldades fazem parte de uma assistência integral. Cuidar de quem cuida também é uma forma de cuidar do paciente.
Qual é o papel do Home Care nesse contexto?
Quando existe indicação clínica e estrutura adequada, parte da assistência pode ser realizada no domicílio.
O Home Care permite que o paciente continue recebendo acompanhamento profissional em seu próprio lar, mantendo a proximidade com a família e, quando possível, aspectos da sua rotina. Mas é importante entender que Home Care não significa simplesmente levar para casa os mesmos cuidados realizados no hospital.
A assistência domiciliar precisa ser planejada de acordo com as condições clínicas e as necessidades individuais do paciente. Em um caso de doença neurodegenerativa de evolução rápida, isso significa acompanhar as mudanças do quadro e adaptar o plano de cuidados sempre que necessário.
Como funciona a assistência domiciliar em pacientes com doenças neurodegenerativas?
Não existe uma única configuração de Home Care. A equipe e os recursos necessários dependem da avaliação de cada paciente e podem envolver diferentes profissionais, como:
- médico;
- enfermagem;
- fisioterapia;
- fonoaudiologia;
- nutrição;
- psicologia;
- outros profissionais, conforme as necessidades identificadas.
Também podem ser indicados equipamentos, medicamentos e outros recursos assistenciais.
O trabalho multiprofissional permite que diferentes aspectos da condição do paciente sejam acompanhados de maneira integrada.
Quando a cura não é possível, o cuidado continua
A Doença de Creutzfeldt-Jakob é um exemplo de como a medicina pode enfrentar situações em que ainda não existe uma possibilidade de cura ou reversão da doença.
Mas a ausência de uma possibilidade de cura não significa ausência de cuidado. Controlar sintomas, aliviar o sofrimento, prevenir complicações, oferecer conforto, apoiar a família e preservar a dignidade do paciente continuam sendo objetivos importantes.
E, quando existe indicação, o Home Care pode contribuir para que esse cuidado aconteça próximo à família e dentro do ambiente domiciliar, com acompanhamento profissional e planejamento assistencial.
