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21 JAN 2020

Estima-se que cerca de 59% dos pacientes acamados desenvolvem feridas chamadas de lesões por pressão.

Diagnosticada com síndrome de reconstituição imune, anemia por doença crônica e transtorno de ansiedade, Jéssica Silva, de 28 anos, ficou quatro meses internada em um hospital de Salvador.

Nesse período permaneceu acamada, e apresentou múltiplas lesões por pressão, na região lombar, costas e no pé. Após apresentar melhora no estado clínico, o médico responsável indicou o trabalho de Home Care para dar seguimento no tratamento das lesões e conclusão de antibióticos para tratar infeccão.

Ela faz parte de um cenário onde, somente em 2018, foram registradas no Brasil 19.297 ocorrências de úlcera por pressão, a terceira maior causa de notificação junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os dados são do último relatório de Incidentes Relacionados à Assistência à Saúde, do órgão, divulgado no último ano.

Lesões de Pele no Home Care
LEIA TAMBÉM: LESÕES DE PELE POR PRESSÃO: FATORES DE RISCO E TRATAMENTOS

As lesões de pele podem parecer ocorrências simples, mas exigem atenção, pois podem acarretar complicações como infecções, que podem atingir órgãos, ossos, sangue e até levar a morte. A precaução deve ser ainda maior com quem está acamado ou imobilizado por longos períodos em casa ou no hospital.

Estima-se que cerca de 59% dos pacientes nestas condições desenvolvem lesões na pele, chamadas de lesões por pressão.

Jéssica está sendo acompanhada em casa há dois meses por uma equipe multidisciplinar da S.O.S Vida, com nutricionista, fisioterapeuta, enfermeira e técnico de enfermagem, dentre outros profissionais.

“Fui informada quais alimentos e suplementos deveriam ser consumidos para ajudar na cicatrização. Com uma semana já mudou o curativo. Graças a Deus está melhorando”, felicita.

A alimentação também pode auxiliar no tratamento e prevenção. De acordo com o Protocolo de Nutrição para tratamento de feridas criado pela empresa especializada em Home Care, uma dieta baseada em proteína, vitamina C e minerais como zinco e ferro ajuda a construir colágeno para recuperar o tecido cutâneo. Essa dieta pode ser realizada por meio de alimentos naturais ou com o auxílio de suplementos, a depender de cada caso. A alimentação é um importante recurso para regenerar áreas já afetadas por lesões, mas também para fortalecer o organismo e prevenir feridas.

Cuidados simples podem contribuir para prevenção de lesões de pressão, é o que explica a enfermeira Ana Cláudia Gonzaga, coordenadora do Programa de Prevenção de Lesões de Pele da S.O.S. Vida.

“Ficar atento a mudança de decúbito freqüentes – mudança da posição corporal na cama, descompressões com uso de travesseiros/almofadas e uso de colchões adequados. Essas práticas têm como objetivo reduzir a pressão em uma única região do corpo”.

A hidratação da pele também é um ponto que precisa de maior atenção.  A profissional indica sempre utilizar produtos sem álcool e a base de uréia, vitamina A e E.

Para garantir que essas ações são devidamente implementadas, a S.O.S. Vida promove a campanha educativa Amigos da Pele, onde uma equipe de enfermeiros visita a casa dos pacientes em  assistência domiciliar, avaliando os  riscos de lesões, e fatores que retardam a cicatrização das leões, indicando intervenções e orientando as famílias e cuidadores sobre como identificar os sinais de alerta e contribuir para uma melhor recuperação.

“As famílias são fundamentais na prevenção, portanto devem ser preparadas para realizar os cuidados e observar possíveis sintomas, como pele ressecada e com escamação. Se um local está avermelhado ou arroxeado também indica risco, pois demonstra que a circulação de sangue nessa área já está comprometida. Outro ponto de preocupação são regiões com proeminência óssea (pontudo), onde há maior contato do tecido com a estrutura do osso favorecendo o surgimento de lesões”, explica Ana Cláudia.

Outras lesões de pele

Além de feridas por pressão, a pele também pode ser acometida de outras doenças, como a dermatite associada a incontinência. A assadura, como é popularmente chamada, pode atingir pessoas que precisam usar fralda. Para evitar lesões na região inguinal e glúteos ,cuidadores e familiares devem evitar deixar essa área úmida e realizar a limpeza com freqüência .

A enfermeira Samanta Campos, supervisora de enfermagem da S.O.S. Vida, diz que a limpeza deve ser realizada sempre que necessário com água e sabão. Ela também indica o uso de um creme preventivo, que forma uma barreira de proteção prevenindo à agressão a pele. O uso de sabonete liquido com PH ácido também ajuda a manter a integridade da pele.

“Idosos são mais vulneráveis a ter lesões, por conta da diminuição da elasticidade da pele. Eles podem ser atingidos por diferentes tipos de ferimentos, incluindo lesão por pressão ou a dermatite associada à incontinência, caso usem fralda”, alerta Samanta.

Outra lesão comum associada à fragilidade da pele são os Skintears.  Ferimentos que surgem quando há um ressecamento do tecido, criando uma lesão que libera uma secreção.

Essas ocorrências podem ser prevenidas com hidratação da pele com produtos adequados e alimentação balanceada com nutrientes para manter a elasticidade da pele. Outra orientação é evitar o uso de esponja no banho para que a fricção não provoque uma ferida ou de adesivos, como curativos e fitas, que podem machucar no momento da remoção. 

Existe também lesões causadas por comprometimento venoso ou em decorrência de outras doenças, a exemplo da diabetes e insuficiência vascular, que compromentem a sensibilidade e a circulação de sangue nessas regiões, trazendo maior risco de ferimentos nas extremidades, principalmente pés e pernas.

 Para prevenir incidentes nestes casos, é recomendado acompanhar os níveis de glicemia, pressão arterial e manter uma alimentação adequada.  Outras orientações no cuidado com esses pacientes são: Aparar as unhas com cautela para evitar cortes que podem demorar de cicatrizar e secar entre os dedos após o banho e usar calçados abertos e confortáveis. O uso de meias compressivas também pode ser indicado, assim como, acompanhamento com medico angiologista com freqüência.

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