4 de outubro de 2021

Home care proporciona vínculo que contribui no tratamento

Modalidade de atendimento, que tem crescido no Brasil, envolve família, paciente e equipe para melhores resultados.

O home care é uma modalidade de atendimento em saúde que vem crescendo – segundo o Núcleo Nacional de Empresas de Serviços de Atenção Domiciliar (Nead), o número de pacientes atendidos no sistema aumentou 35% desde o início da pandemia de Covid-19.

Um dos fatores que levaram a esse aumento foi a necessidade de desospitalização de pacientes, que puderam seguir com seus tratamentos em casa. Além da possibilidade de estar perto da família e em um ambiente mais acolhedor, o home care é um tipo de atendimento que tem como base o relacionamento entre os profissionais, o paciente e a família, partindo da humanização e ajuda mútua.

Maior envolvimento para um melhor resultado

É envolvendo família, profissionais e paciente na busca dos melhores resultados para o tratamento, que o atendimento em home care obtém seus maiores êxitos. A médica Marta Simone, que gerencia a unidade S.O.S. Vida em Aracaju, destaca que a família e os cuidadores participam junto com a equipe dos cuidados, criando um ambiente com afetividade, humanização e segurança, trazendo os resultados esperados por todos.

“Um dos maiores benefícios do home care é a proximidade com a família que traz outros agregados como a redução de solidão, de eventos infecciosos pelo menor risco de exposição em ambiente domiciliar e redução no risco de abertura de lesões pelo número maior de pessoas envolvidas no cuidado”, aponta.

marta simone sousa medica

Trabalhando os vínculos

O fisioterapeuta Mateus Alves Santos, que atua na S.O.S. Vida em Itabaiana, em Sergipe, pontua que o vínculo é algo fundamental para os bons resultados do tratamento, e que melhores resultados são obtidos quando a família é envolvida no processo.

“Em casos de pacientes crônicos, estamos o tempo todo na casa do paciente, então a equipe faz parte da rotina da família. É essencial que haja diálogo e ajuda mútua, e isso faz toda a diferença no tratamento”, pontua.

Uma das pacientes que Mateus atende e faz parte do dia a dia é a jovem Alyce Mell Barbosa de Jesus, de 13 anos. Há 4 anos, Alyce faz seu tratamento em home care, e, durante todo esse tempo, o fisioterapeuta a acompanha. Foi durante as conversas nos atendimentos que Mateus, que estava então noivo, ficou sabendo que um dos sonhos de Alyce era ser dama de honra.

fisioterapeu mateus alves

“Eu conversei com minha noiva e convidamos ela para ser uma de nossas damas. Além, claro, dela ter ficado muito feliz, isso foi um estímulo de terapia para ela, pois Alyce começou a treinar muito para conseguir entrar na igreja sozinha. E mesmo quando isso não foi possível, porque ela teve uma redução na força muscular pouco antes do casamento, isso não diminuiu a alegria dela”, conta Mateus.

Para a mãe de Alyce, Cleonice Barbosa de Jesus, o atendimento em home care foi uma mudança muito grande no cenário de sua vida com a filha. Sem diagnóstico fechado e com em quadro de saúde que traz necessidades particulares, desde os dois anos mãe e filha passavam longas temporadas em hospitais.

“Com 1 ano e 8 meses, Alyce começou a apresentar os primeiros sintomas, a partir daí iniciamos a longa jornada em busca de um diagnóstico. Até hoje, porém, não conseguimos o nome da doença, que, com o passar do tempo foi tirando lentamente suas capacidades, como a de andar. Chegamos a passar 4 meses no hospital, e quando ela já tinha 8 anos me apresentaram o home care.  No começo, me senti insegura, mas hoje tenho um entendimento totalmente diferente, o home care funciona como uma rede, nos apoia e nos dá segurança em todos os sentidos”, conta a mãe.

Cleonice afirma que Alyce sempre foi alegre e, desde os cinco anos sonhava em ser daminha de casamento.

“Quando ela andava, ficava ensaiando como seria, mas nunca surgiu uma oportunidade, até que Mateus, que conversa muito com ela nos atendimentos, ficou sabendo desse sonho, e então convidou ela. A cadeira de rodas nunca limitou ela para nada, foi a maneira que encontrou para navegar no mundo, para mim, foi muito emocionante e gratificante”, relata.

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