30 de junho de 2021

Crescimento de doenças respiratórias no inverno

Além do aumento de incidência de chuvas e da chegada frio, o outono e o inverno são estações marcadas também pelo aumento no número de doenças respiratórias sazonais.

Historicamente, durante as estações mais frias como o outono e o inverno, nota-se um aumento de doenças que atacam o sistema respiratório de milhões de pessoas em todo mundo. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), se tratando da gripe, estima-se que entre 3 e 5 milhões de casos graves da doença ocorram por ano.

Porém, embora a gripe seja a enfermidade mais comum registrada durante o período mais frio do ano, doenças como pneumonia e tuberculose também sofrem um aumento de incidência.

O tempo mais frio, resultado da queda de temperatura característico da época, aumenta a umidade do ar, possibilitando que partículas dispersas de forma aérea fiquem viáveis por mais tempo. Essas partículas podem estar contaminadas com vírus e outros organismos causadores de doença.

A pediatra da S.O.S. Vida, Dra. Bianca Xavier, falou ao caderno saúde do portal Cinform Online, onde explicou um pouco o assunto.

“Doenças sazonais como as bronquiolites, crises asmáticas induzidas por vírus, como o influenza, que é um vírus muito comum, as pneumonias também são bastante presentes. Em geral, os sintomas dessas doenças são muito parecidos”.

O aumento no número de casos de doenças infectocontagiosas está ligado também ao comportamento adotado pelas pessoas nessa época do ano, como a longa permanência em ambientes fechados e sem circulação de ar, a exemplo da utilização de transportes coletivos com janelas fechadas. Atitudes como essa podem contribuir com a proliferação de vírus e bactérias.

Pediatra Bianca Xavier

Cuidado com as crianças

De modo geral, crianças possuem maior dificuldade de seguir medidas higiênicas que podem ajudar na prevenção de infecções, como lavar as mãos em momentos importantes – após limpar o nariz ou antes das refeições.

Outro fator de risco e que gera preocupação é a imaturidade do sistema imunológico infantil. Por estarem nas primeiras fases da vida, as crianças ainda não possuem um sistema imunológico totalmente desenvolvido, o que as torna mais vulneráveis a vírus e bactérias causadoras de doenças.

Apesar disso, Dra. Bianca explica que a maior parte das crianças acaba tendo uma boa recuperação. Porém, outros fatores, como a má nutrição e doenças congênitas, podem prejudicar essa recuperação natural.

“As doenças respiratórias na infância, a grande maioria delas, tem um curso benigno e auto limitado, ou seja, elas tem uma cura espontânea, atrelada ao próprio sistema imunológico do paciente, mas crianças que são desnutridas, crianças que tem algum defeito da imunidade congênita, que tem alguma doença crônica, os prematuros, enfim, são crianças que podem ter desfecho mais grave”

Esses fatores, no atual contexto pandêmico, em um momento de retomada das atividades presencias como a volta às aulas, pede um cuidado redobrado com as medidas de higienização e os protocolos de segurança.

Doenças respiratórias em crianças no inverno

Cuidados em casa

Embora os aspectos naturais da mudança das estações tornem o ambiente mais propício ao desenvolvimento de vírus, bactérias e, consequentemente, às doenças respiratórias, outros elementos também favorecem esse cenário.

As alergias respiratórias tendem a sofrer uma piora durante esse período, tanto pelas contínuas mudanças climáticas, que podem acontecer de forma brusca em alguns momentos, quanto pelo contato com cobertores, casacos e outros artigos que ficaram guardados por muito tempo, podendo conter poeira e outros organismos causadores de alergia.

  • Manter padrões de limpeza adequados;
  • Combater a umidade;
  • Lavar agasalhos e cobertores antes de usar;
  • Retirar dos cômodos livros ou almofadas que acumulem poeira;
  • Evitar cigarro no ambiente doméstico.

Doenças respiratórias e Covid-19

Pessoas que possuam alergias ou doenças respiratórias preexistentes, ou mesmo aquelas que forem acometidas por um quadro leve, como um resfriado, devem adotar um maior cuidado com as medidas de prevenção a contaminação do coronavírus, uma vez que essas enfermidades geram um enfraquecimento do sistema imunológico, deixando o corpo mais vulnerável.

Leia também: Crescimento de doenças respiratórias no inverno aumenta risco de contaminação pelo novo Coronavírus

Algumas doenças respiratórias como a rinite, sinusite e laringite geram sintomas semelhantes aos da Covid-19, o que pode causar dificuldade em diferenciar as enfermidades.

É importante observar os sinais do corpo com atenção, observar também se houve contato com algum elemento que pode desencadear uma reação alérgica, a exemplo de artigos empoeirados, fumaça ou chuva, e buscar saber se houve algum contato com alguém infectado pelo coronavírus. Se o quadro clínico for leve, o recomendado é que a pessoa permaneça em casa, evitando assim o contato com ambientes hospitalares o que aumenta a possibilidade de contato com outros vírus e bactérias. Contudo, caso julgue necessário, a pessoa deverá buscar um profissional médico que possa orientar e prescrever um tratamento adequado ao paciente. A automedicação não é recomendada.

portal Drauzio Varella elaborou um infográfico que ajuda a entender as diferenças e principais sintomas entre rinite, sinusite, faringite, laringite, bronquite e asma, as principais doenças que afetam o sistema respiratório. A imagem também ajuda a entender as regiões que cada doença atua.

Diferenças dos sintomas de doenças respiratórias

Rinite [mucosa do nariz]

A rinite é uma doença inflamatória da mucosa do nariz. A inflamação é desencadeada ou agravada pelo contato com alérgenos, como os ácaros da poeira doméstica, pelos de animais, fungos, pólen, perfume, entre outros. Obstrução nasal, coriza, coceira no nariz e espirros são os sintomas mais comuns.

Sinusite [seios da face]

A sinusite é uma inflamação da mucosa dos seios da face, região do crânio formada por cavidades ósseas ao redor do nariz, maçãs do rosto e olhos. É provocada por processos infecciosos ou alérgicos que facilitam a instalação de germes e causam dor de cabeça e na face, secreção nasal e congestão nasal.

Laringite [laringe]

A laringite é a inflamação da laringe, órgão localizado na garganta, que conecta a faringe à traqueia. É causada por infecção viral das vias aéreas superiores, excesso de esforço vocal, reação ou inalação de agentes alérgicos. O principal sintoma é a rouquidão na voz, mas também pode haver tosse e dor de garganta.

Faringite [faringe]

A faringite é uma infeção respiratória caracterizada pela inflamação da faringe, parte posterior da garganta, responsável por conectar o nariz e a boca à laringe e ao esôfago. Pode ser causada pela infecção de bactérias ou vírus, e os principais sintomas são dor de garganta e dificuldade para engolir.

Bronquite [brônquios]

A bronquite é a inflamação dos brônquios, tubos que levam o ar até os pulmões. A doença ocorre quando os cílios que revestem o interior dos brônquios não eliminam o muco adequadamente. A secreção acumulada deixa os brônquios inflamados e contraídos. O principal sintoma é a tosse.

Asma [bronquíolos]

A asma causa o estreitamos dos bronquíolos, pequenos canais de ar dos pulmões, o que dificulta a passagem do ar e provoca contrações ou broncoespasmos. Quando estão inflamados, os bronquíolos acumulam muco, agravando o problema. Falta de ar e tosse seca são sintomas comuns.

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