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Autor de mais de 60 livros nas áreas de Teologia, Ecologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia e Mística, o professor Leonardo Boff irá proferir a palestra de encerramento da III JONAD (Jornada Nacional de Atenção Domiciliar), que será realizada no dia 26 de maio, a partir das 8h30, no Hotel Sheraton, em Salvador. O evento, que vai reunir especialistas de todo o Brasil para abordar o tema “Ensaios para o futuro: Cultura e inovação no cuidado domiciliar”, é uma promoção da S.O.S. Vida, pioneira em internação domiciliar na Bahia.

 

Em entrevista exclusiva, Leonardo Boff reflete sobre o tema que vai abordar em sua palestra, cujo tema é “O desafio ético do cuidar na sociedade contemporânea”. Acompanhe a seguir.

 

1- Fale um pouco sobre o desafio ético do cuidar na sociedade contemporânea.

Há uma tradição filosófica que vem do tempo do imperador Augusto, atravessou toda a antiguidade, culminando no grande filósofo Martin Heidegger que dizem que a essência do ser humano e tudo o que vive é o cuidado. Se não tivesse havido cuidado no momento da gestação ou germinação de qualquer ser vivo, ele não teria condições de sobreviver. Tudo o que vive, tudo que é importante como a vida, o amor, a família, a casa e a convivência social devem ser cuidados. Caso contrário, abandonados, vão degenerando até desaparecer. Hoje nos damos conta de que a Casa Comum, a Mãe Terra, precisa ser cuidada, de outra forma será profundamente afetada pela agressividade do processo produtivo depredador de seus bens e serviços, sempre escassos, que vão diminuindo até afetar a vida de todos. Por isso a encíclica do Papa Francisco coloca como sub-título de sua encíclica Laudato Si a expressão “sobre o cuidado da Casa Comum”. Isso vale mais diretamente à sociedade contemporânea. Ela é vítima da cultura do capital que tem por objetivo acumular mais e mais, sacrificando os trabalhadores e o ecossistema, orientando-se pela competição sem pensar na cooperação; é individualista e tem pouco sentido pelo social. Grande parte do que se produz hoje termina no lixo. A consequência é uma sociedade cheia de tensões, conflitos e criminalidade. Falta o cuidado generalizado. O cuidado é uma relação não agressiva para com o outro e para com a natureza. É um gesto amoroso que protege e produz paz. Tudo o que amamos também cuidamos. Tudo o que cuidamos também amamos: a pessoa amada, a família, a sociedade, o meio ambiente e até as relações internacionais.

 

2- O cuidado (com o outro) é uma arte ou uma técnica?  

O cuidado, como parte essencial de cada ser vivo e do próprio ser humano, é antes de tudo uma arte, um modo de relação que se preocupa com o outro, o acolhe e convive pacificamente com ele. O cuidado é a ética natural das mães, do corpo médico e da enfermagem. Além de expressar naturalmente cuidado, aprofundam também técnicas para que o cuidado para com o paciente seja eficaz. Isso vale também para o mundo da técnica. Temos que ter cuidado ao manejar os instrumentos, pois podem se danificar ou podem nos ferir. Fala-se então da importância da prevenção, outra palavra para o cuidado como técnica a ser aprendida e incorporada à arte natural de cuidar de tudo o que nos cerca.

 

3- De que forma uma postura ética pode contribuir para uma melhor assistência em saúde?

A ética tem a ver com a prática justa e correta, aquela que é mais adequada ao objeto de nossa ocupação e preocupação. Se alguém se propõe como projeto de vida de ser sempre correto, de fazer o certo, esse vive uma atitude ética. Como se depreende, a ética é mais que normas e simples valores, é uma arte de viver que coloca no centro o que tem a ver com a vida bem conduzida e bem realizada. Quem vive tal propósito, vive eticamente e tem como consequência uma prática médica ou de cuidados primários responsável e humanizadora. Não devem ser menosprezados os instrumentos técnicos de que dispõe hoje a medicina. Mas eles não substituem o contato direto com o paciente, dar-lhe atenção, compreensão de seu sofrimento e a capacidade de senti-lo; auscultá-lo, tocá-lo, atos que dão a sensação de que somos humanos.

 

4- A assistência domiciliar pode ajudar na recuperação de pessoas doentes? 

Creio que nada é mais curativo do que o amor, o aconchego do lar, a presença cuidadosa dos familiares e dos amigos. É triste ver as pessoas morrerem sob ferros, sob tubos e outros instrumentos que prolongam a vida, na solidão de uma UTI. Sou da opinião de que devemos aceitar a morte como parte da vida. Devemos respeitar o curso natural da vida que chega à morte. Isso vale especialmente quando a doença é terminal. É melhor os familiares combinarem com os médicos, fazerem um acordo até por escrito (para evitar problemas judiciais de ética médica) para que a pessoa, com seu consentimento e dos responsáveis por ela, possa morrer em casa, cercada do carinho e do cuidado dos parentes. Segurar-lhe a mão, falar-lhe ao ouvido palavras consoladoras que a levam para uma entrega ao desígnio de Deus que a está esperando de braços abertos. Para mim não há palavra mais consoladora do que aquela que está na primeira carta de São João que diz: “Se teu coração te acusa, saiba que Deus é maior que teu coração”. Ele quer que a misericórdia prevaleça sobre a justiça porque, como diz o salmo 103, “Ele sabe do pó de que somos feitos, e não está nos acusando todo o momento” e sua misericórdia não tem limites. Tais atitudes fazem com a pessoa se despeça da vida agradecida, reconciliada e preparada para o Grande Encontro com a Fonte de toda vida e de toda a felicidade.

 

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